Eu te olho enquanto deixo a barba crescer. No terceiro livro está escrito que “não cortarás o cabelo nas têmporas, nem apararás as beiradas da barba”. Me lembro então daquele menino drogado dizendo “você tem um espelho? eu preciso de um espelho, eu preciso ver o meu rosto, há muito tempo que não vejo o meu rosto, eu preciso de um espelho, você tem um espelho?”. A gente se despede. A rua está coberta de luzes e mais fria que ontem. Acendo um cigarro e atravesso a cidade do terminal ao quadrilátero. A lua é um espelho embaçado pelo teu hálito, o teu cheiro na minha mão direita. Eu... eu... pego uma tesoura e observo. Venta. O tempo passa.

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