Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

PESADELO

Metrô again. Vagões brancos. Carrinhos de bebê. De repente a porta abre no meio do túnel. O metrô continua. Treme. Entra um vento frio. Um preto se afasta pra não cair. O bebê, ao revés, caminha em direção ao vão com um cesto cinza nas costas que lhe serve de carapaça. Ele cai do lado de fora do metrô, nos trilhos, no túnel. O vagão branco, o lado de fora escuro, tudo tremendo. A mãe dá um berro e chora.

De repente é noite escura. Exterior. Descemos na estação de trem e voltamos a pé. Já não são trilhos, mas cascalhos. Caminhamos sem encontrar nada, sem lanterna. Nada... Até que dando uma segunda volta pelo mesmo caminho damos de frente com a carapaça, o cesto cinza virado de cabeça pra baixo. Olho dentro e vejo o bebê sem cabeça. Trapos, manchas... Ela chora, eu tremo, ele... A cabeça ali e nós é que não vimos. Colada no corpo, debaixo de um pano. Essa criança... Mexo nele. Está vivo. Vivo, mas a cabeça parece mole.

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